Profundanças 2

"Profundanças 2: antologia literária e fotográfica" reúne, em sua maioria, autoras inéditas, há também aquelas que já publicaram livro autoral. Essa antologia integra um amplo projeto de difusão literária e se soma ao primeiro volume, lançado em 2014. A intencionalidade do projeto é conferir visibilidade às produções que encenam formas sensíveis e dissidentes de autorrepresentação. O livro é resultado de uma ação colaborativa e sem fins lucrativos, portanto, ficará disponível para download gratuito por tempo indeterminado nesta página.

FICHA TÉCNICA

Organização: Daniela Galdino

Edição: Voo Audiovisual

Autoras: Aidil Araújo Lima, Ana Mendes, Andréa Mascarenhas, Daniela Galdino, Dayane Rocha, Débora Ramos, Erika Cotrim, Haísa Lima, JeisiEkê de Lundu, Laiz Carvalho, Larissa Pereira, Lílian Almeida, Mel Andrade, Miriam Alves, Rita Santana e Thalita Peixe de Medeiros

Fotógrafes: Adrian Greyce, Ana Lee, Andrezza Tavares, Brenda Matos, Camila Camila, Catarina Barbosa, Cláudio Gomes, Haísa Lima, Henrique Valença, Inajara Diz, João Caique, João Santana, Josi Oliveira, Lanmi Tripoli, Leticia Ribeiro, Mariana Lisboa, Shai Andrade, Rodrigo Iris e Ytallo Barreto.

Produção: Daniela Galdino, Edson Bastos e Henrique Filho.

Assistentes de Produção: Dandara Galdino, Jennifer Bonfim e Karine Fênix.

Assessoria de Imprensa: Jennifer Bonfim e Tacila Mendes.

Designer: Ícaro Gibran

Social Media: Mel Andrade

Ilustradora: Bruna Risério

Página no Facebook

 Clique aqui para baixar

Cá estamos na continuidade da desobediência. Por refutarmos as dinâmicas literárias que, a cada dia, fabricam a nossa invisibilidade. Por sabermos que somos muitas em profundas relações com a palavra. Por sentirmos uma necessidade avassaladora de falar com outres, ouvir as palavras suas. Por sabermos que alguns nos querem mortas.

Neste segundo volume de Profundanças apresentamo-nos: dezesseis escritoras, dezenove fotógrafes. Mais do que soma, aqui importa o encontro de vozes dissidentes, pois das vivências cotidianas temos retirado a matéria da re-existência nos lugares onde estamos – e não para onde nos predestinam. Vias sinuosas, veredas interrompidas e reinventadas nos colocaram em convergência. Novamente a roda se faz e nela projetamos sussurros que se expandem até reverberar em outros corpos. Agora já estamos irmanades pelo grito.

Mais do que nunca bradar se faz necessário. O nosso país está de garganta atravessada por um golpe. Um estado de exceção orquestrado ao modo jurídico-parlamentar irmanado a segmentos sociais odiadores tem violentando as nossas sensibilidades e usurpado os nossos direitos. Estamos na mira constante: nós, mulheres – ainda mais se negras, indígenas, trans, lésbicas, pobres. Ou sucumbimos à mira, ou inventamos formas de re-existir.

Odiadores não representam a totalidade do mundo. É preciso arrancar esperança aos dias e lançá-la em garrafas, balões, ruas, muros, livros. Cá estamos para dizer que a literatura é também o nosso foco de re-existência aos golpes – sejam eles nas grandes esferas ou nos circuitos íntimos. Por isso é muito significativo que Profundanças 2 seja lançada no dia 06 de julho, data de nascimento da pintora mexicana Frida Kahlo. Escolher essa data significa dar visibilidade a uma extensa genealogia de combates cotidianos que nos põem irmanades, ainda que as limitações temporais nunca nos tenham permitido um encontro direto. As indireções, sim, têm nos convergido. Os caminhos são díspares, mas as relações nós as construímos.

Nossos corpos inflados por outras lutas, outros sonhos em balões que nos antecederam. E dessa maneira escrevemos, criamos narrativas visuais de autorrepresentações quando, indirecionadamente, desejamos que outres aqui se reconheçam. E que nos reconheçamos nas re-existências de quem também está sob a mira do ódio, do aniquilamento e do desencanto.

Cá estamos: escritoras inéditas (em sua maioria), algumas já com um livro autoral publicado, três com mais de um livro. A horizontalidade (e não as hierarquias que marcam as disputas literárias) é o que nos move, também essa a razão de cá estarmos sem determinação de aonde chegaremos. Profundanças, desde a sua estreia em 2014, é um espaço de diálogos, expansões artísticas e democratização.

Muito embora saibamos que o acesso virtual tenha amplitude recortada, insistimos em disponibilizar o livro gratuitamente na esperança de que seja lido nos mais diferentes contextos, por diferentes sujeitos. Se a roda que nos colocou em contato, fazendo surgir este livro, for recriada em outros espaços, com modos desobedientes de leitura, o grito irá reverberar com muita força. Afinal, o fato de estarmos numa ação literária e fotográfica colaborativa já implode as formas como a literatura tem se tornado uma propriedade de poucos. Só o muito nos contenta. Cá estamos…

Daniela Galdino  (Organizadora)

Comentários

Leave a Reply